Lendo o verbete da Wikipédia sobre o Conto, encontrei estes conselhos sobre como escrever um bom conto.
"Conselhos" para se escrever um ótimo conto
- Prender o interesse do leitor; evitar ser chato
Pense em Aristóteles, para quem a catarse, enquanto experiência vivida pelo espectador ou ouvinte, é condição fundamental para definir a qualidade de uma obra. - Usar, se possível, frases curtas
A clareza vem do cuidado com a estruturação da frase: as intercalações excessivas prejudicam a compreensão da idéia. Pense em Barthes: “A narrativa é uma grande frase, como toda a frase constitutiva é, de certa forma, o esboço de uma pequena narrativa", (Introdução à análise da narrativa). - Capítulos e parágrafos curtos, para o leitor poder respirar
Evitar muitas personagens, descrições longas, rebuscamentos, adjetivações, clichês, repetir palavras. - Trama/enredo/tema ou estilo, original
Pense em Ricardo Piglia: “Pode-se programar a trama, os personagens, as situações, conhecer o desenlace e o começo, mas o tom em que se vai contar a história é obra de inspiração. Nisso consiste o talento de um narrador”, (O laboratório do escritor). - Se possível usar ironia, humor, graça e ser verossímil
Ser verossímil é importante, mas não devemos confundir verossimilhança com verdade; a história não tem de ser obrigatoriamente verdadeira, mas parecer que o é. Mesmo assim sua importância é discutível. Segundo Álvaro Lins, Graciliano Ramos tem como “defeito” justamente a inverossimilhança que, de acordo com o crítico, é mais “visível” em Vidas secas e São Bernardo, dois clássicos insuspeitos. No Vidas secas esse “defeito” estaria no discurso das personagens (discurso indireto livre), pois tal recurso teria provocado um excesso de introspecção das personagens, tão rústicas e primárias (até Baleia, a cadela do romance, tem seu “monólogo interior”). No São Bernardo o “problema” estaria no fato de um homem rústico, como Paulo Honório, construir uma narrativa tão perfeita em termos literários.
Conta-se que uma vez Matisse mostrou a uma senhora um quadro em que havia pintado uma mulher nua; sua visitante retrucou: “Mas uma mulher nua não é assim”. E Matisse: “Não é uma mulher, minha senhora, é uma pintura”. Será que na sua análise em busca do perfeito, Álvaro Lins (que tinha Graciliano em alta conta) não teria percebido que Paulo Honório não é um homem, mas uma pintura? - Ler, de preferência, os clássicos
Não se é escritor sem ser leitor. Pense em Sartre: “Mas a operação de escrever implica a de ler... e esses dois atos conexos necessitam de dois agentes distintos. É o esforço conjugado do autor com o leitor que fará surgir esse objeto concreto e imaginário que é a obra do espírito”. (op. cit.) Pense também em Faulkner: ler, ler, ler, ler, ler...
Em Escritores em ação, Georges de Simenon (1903-1989) dá a “fórmula” para se escrever uma boa prosa: “Corte tudo que for literário demais; adjetivos e advérbios e todas as palavras que estão lá só para causar efeito. Escrever é cortar. Escrever não é uma profissão, mas uma vocação para a infelicidade e essa professora é uma puta vadia!
6 comments:
Caramba, muito bom seu blog, um amiog que me indicou!
tbm sou escritor e concordo plenamente com as dicas acima!
Gostei das dicas acima. Tenho certo receio com a última, sobre dar preferência aos clássicos. Estes estão parados num estilo que talvez o contista moderno (contemporâneo, atual, enfim) não tenha interesse em extrair (inspiração, conhecimento). Refiro-me ao "estilo", às características dos contos tidos como clássicos, não à qualidade, obviamente. É importante ler Poe, Maupassant, Flaubert, entre outros. Porém, nas últimas décadas surgiram importantes contistas os quais devem ser lidos por quem hoje em dia se dedica aos contos: Caio Fernandou Abreu, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Sérgio Sant’Anna, Moacyr Scliar, Péricles Prade, Luiz Vilela...
Abraços!
Apareça no Cinco Espinhos e conheça nosso projeto, não pude lhe deixar scrap no orkut. Abraços!
cara, cocordo e discordo com o texto.
essas dicas em estado inerte geram as descrições exibidas.
mas se nós as distorcemos, colocá-las para transitarem no contexto infinito da 'intenção literária', podem até cumprir funcões inversas mas efetivas.
par mimm, a capacidade e talento do escritor é que vão determinar se 'regras' vão atuar como dominantes indesejáveis ou como efeito proposital enriquecedor.
espetáculo. andava meio à deriva, mas agora já sei. vou ser contista.
Voltarei mais vezes, hehe.
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